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21 de maio de 2010

Meus Poemas

Cidade Atlântica

Iremar Marinho

Uma vazante tardia
alaga a Cidade Atlântica.
Seres anfíbios, acossados,
povoam os bancos de areia.

Maré de caranguejos tortos
(o peso da lama e salsugem)
emerge Brejal adentro.

Os maceioenses,
com a vida torta
dos goiamuns,
entram e saem dos becos, das tocas,
aos encontrões nas ruas tortas.

Entre o mar – a sua cruz –
e as lagoas – a espada
de Dâmocles da tiborna –
Maceió se espreme,
vaporosa e alagadiça.

No embate de mar e água doce,
só os caranguejos sobrevivem,
chafurdando na areia traiçoeira.

A terra prometida –
uma ilha no mapa da restinga –
é dos seres anfíbios afinal.
A redenção é dos caranguejos.


Tapagem do Alagadiço

Iremar Marinho

Maceió tem o seu mapa
traçado num berço de águas.

Entre o mar e a lagoa,
flutua a terra movediça.

Seu povo (seres anfíbios)
afunda e emerge
(afoga-se e revive)

A Cidade Atlântica
é porto de sereias
que aplacam a ira do mar
com orgasmos de sargaços.


Poema a um cão

Iremar Marinho

Ladra o cão na noite,
guardando a entrada
do inferno-horror.

A noite penetra
os cantos escuros
(seus encantos-muros).

O cão irreflexo
(o corpo inflexo)
morde a cauda em círculo.

A noite cai sobre o cão
(os gestos alertas
e negra penugem).

Com o cão na pálpebra,
não espero o dia
de pálida aurora.

Sonho madrugadas
e manhãs perdidas
(encardidos sonhos).

Na noite ferida,
ladra o cão vazio,
rosna vão vadio.

Vaga o cão sem-noite.
Na rua sem-dia,
tomba sob açoites.

8 comentários:

  1. Iremar,


    muito bom!


    Abração,
    Adriano Nunes.

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  2. Adriano,
    Agradeço por sua apreciação. Seus gostos literários são semelhantes aos meus. Só tem fera! rs

    Abraços

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  3. Iremar, todos os poemas estão excelentes. Creio que você, atualmente, é o maior poeta genuinamente alagoano (vivo) na literatura brasileira. É meu orgulho citá-lo aos "estrangeiros".
    A propósito dos alagoanos estrangeiros, você tem alguma coisa de Ângelo Monteiro (de Penedo)? Para mim o maior poeta vivo da língua portuguesa? Caso não tenha, mande-me novamente o seu endereço, para lhe enviar algumas obras dele. E também da Revista Cultura.
    Orgulho-me de ser seu irmão.
    Danou-se, descobri uma foto de uma festa na casa da Aída, em que todos estávamos lá, eu, tu, Carlos Pimentel, João Batista... Vou escanear e te mandar uma cópia.
    Éramos todos jovens e tão tolos...

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  4. Irmão Poeta Cícero Melo, digo que o afeto do amigo contribui para sua crítica e seu orgulho acerca desde modesto escrevinhador. Um dia eu chego lá.
    Quanto ao "estrangeiro" Ângelo Monteiro, conheço-o, mesmo que esparsamente, como autor de um grande obra, em todos os sentidos. É tradutor do Tigre de Blake, que acabou se tornando o próprio (O Tigre). A propósito, Ângelo Monteiro existe mesmo?!
    Manda logo essa foto de quando éramos tolinhos!
    Meu endereço para você mandar coisas do Ângelo Monteiro: Condomínio Vale da Serraria, Q-A, 35, Serraria, Maceió - AL

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  5. Meu caro Iremar Marinho, parabéns pelo excelente blog. Encontrei nele primorosas jóias da poesia alagoana, sobretudo as do meu saudoso amigo Francisco Valois e do notável Jorge de Lima. Prometo visitar seu blog com frequência. Ele está ótimo, fazendo jus à sua inteligência. Um grande abraço. Arlene Miranda.

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  6. Querida Arlene,
    Sou grato por suas preciosa visita e generosa apreciação sobre o nosso Bestiário.
    Abraços para você.

    Iremar Marinho

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  7. Olá Iremar,

    Foi bom receber sua visita e melhor ainda bater a sua porta e encontrar a beleza da boa poesia estampada em sua página.

    Li algumas, parei mais tempo em: "MEUS POEMAS" e fiquei encantada com sua sensibilidade.

    Um abraço,
    Dalinha Catunda

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  8. Olá, Dalinha,
    Mesmo tardiamente,agradeço
    sua honrosa visita e seu generoso
    comentário sobre o Bestiário e meus poemas.
    Estou sempre lhe visitando!

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