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2 de julho de 2015

POEMAS DE INALDO CAVALCANTI



JORGE DE TODAS AS LUAS
 

Inaldo Cavalcanti


Para Iremar Marinho 

Jorge de todas as luas
Mestre de Orfeu
E servo da poesia
Menino eterno
Repleto
Da poesia universal
Recriada
Na fala brasileira
Te louvar
É amar
A noite e o dia
Nas asas sonhadas
Do Mundaú 



VAN CANTIGA A VINCENT


 Inaldo Cavalcanti


O vento visita o verde
No olhar maravilhado
De um homem menino.

Eu te vi no vento
- Loucura luminosa
Por um deus esquecida –
Invadir a janela
De um pobre calendário.

Eu te vi no vento
E me lembrei da vida.



                      
UM SABER SIMPLES VERTICALIZA A LUZ


Inaldo Cavalcanti


No carrossel inerte – humílimo mistério.
Eis um rosto.

A loucura que o rictus do Atlântico
Traduz em espumas – preciso golpe.
Eis o mesmo rosto.

Algo magoado cadencia a vida
E o recife ensina o êxtase silencioso do olhar




LONDON REVISITED


Inaldo Cavalcanti


Os espelhos nunca morrem:
Conspiram contra o silêncio.

Aturde a flor o vento rude.
Sangra nas raízes o mundo.

Perversa a minha dor:
De mim vive, e não me faz feliz




A DERROTA PASSADA A LIMPO


Inaldo Cavalcanti


Me fiz, e assim cantei a história
E assim perdi
O coração onde o banquete
Recusou o comer comum.

Sou pequeno: o passado
Já viveu o futuro.
Nada conduz à minha tristeza de sonhar.
Nada recria o pão da minha amizade.

Uma vez desprezada e pobre vigília,
Sou pobre.
Mendigo da melodia, louvo a Luz
E reencontro a doação da minha queda:
A ti, cordeiro guerreiro da origem.


INALDO CAVALCANTI  é natural de Recife (PE).  Estudioso de Filosofia e Psicanálise, publicou  O Livro do Esquecimento (2003).