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22 de janeiro de 2015

MEUS POEMAS

Solau da morte

Iremar Marinho

A morte vem a cavalo
É próprio dela galopar

Os mortos esperam lívidos
É próprio deles esperar

Os mortos esperam túrgidos
É próprio da morte chegar

Os mortos esperam fúlgidos
Para o festim terminar

É próprio dos mortos vívidos
Do inferno esperar voltar

É próprio do inferno rúgido
Os mortos encarcerar


Todas as estátuas gregas são Homero, cegas


Iremar Marinho



Há um poema dentro do poema,
há um fluir de encantos surdos,
uma sinfonia de instrumentos mudos,
em busca de tons dispersos
da melodia em fuga da canção.

II

Dou meus versos,
falo em sussurro,
em baixa frequência,
como sibilasse.

Falo em língua surda,
eu tartamudeio,
dou meus braços,
meus artelhos,
meus cansaços,
meus joelhos.

III

Quem me lê, dê sua voz.
Compulsório ouvinte
da linguagem surda,
tradutor da fala,
co-autor imerso
no volúvel som.


Poema improvável


Iremar Marinho


Eu me escapei da morte.
Vivo. Adeus ao vôo.
Minha sintaxe agora é rastejante.
Não preciso mais romper os ventos,
só as agruras deste duro chão,
só a textura das pedras,
só a fuligem do tempo.

II

Viver é sempre desdenhar a morte,
a que vence todos os torneios,
aquela adversária desonesta,
detentora de segredos,
aquela que faz jorrar
o sangue dos contendores,
aquela que abate toda
ansiedade do poema,
que destrói covardemente
toda teima de viver.

Oh! Morte! Basta!