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1 de agosto de 2012


Poema do espanto para Ferreira Gullar

Iremar Marinho

Mundo vasto bate à porta.
Se os ossos me espancam,
O poema não se espanta.

Não vou mais a São Luiz.
Não vou rimar meretriz
Com minha falta de espanto.

Não há poema se o tempo
Retrai do poeta o canto
(a espera do espanto).

Por falta de espanto, faço
Poema vivo na carne,
No osso – a face desnuda.

Crio poema perplexo.
Já não há encanto
Não mais me espanto.


4 comentários:

  1. Prezado poeta Iremar, muito sugestivo seu poema, ainda mais que sou fã do Gullar, do qual li todos os livros e os releio eternamente. Sim, a poesia nasce do espanto, e depois, se realmente poesia, vira ouro.

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  2. Caríssimo Alaor.
    Fico muito feliz por sua apreciação
    sobre o poema e sobre Gullar;
    de quem também sou admirador.
    Sou grato por sua visita e
    participação neste Bestiário.
    Abraços

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  3. Olá Iremar Marinho, uma bela homenagem ao nosso poeta Ferreira Gullar, considerado por muitos o maior poeta vivo do Brasil, é muito de meu agrado todos os poemas deste grande homem, e penso como ele: antes o espanto depois o poema, escrever a frio não escrevo! Admiro toda sua trajetória, poética, política, com todas suas polêmicas acirradas !!!
    Deixo aqui uma estrofe de um poema dele que gosto muito:
    - sei que dois e dois são quatro
    sei que a vida vale a pena
    mesmo que o pão seja caro
    e a liberdade pequena.
    Ferreira Gullar (poema Dois e Dois são Quatro)
    Abraços e uma ótima semana, e obrigada pela sua visita em meu humilde espaço, volte sempre!
    Clarice Moreno

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  4. Olá, Clarice Moreno,
    Tënho muita satisfação ao ter você aqui,
    apreciando o poema do grande Ferreira Gullar
    e prestigiando o nosso Bestiário Alagoano.
    O poema Dois e Dois são Quatro está também
    postado aqui entre os melhores poemas que eu li.
    Abraços para você!
    Iremar Marinho

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